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Em segundo dia, Encontro debate soberania, luta sindical e o servidor público

O segundo dia de encontro começou com formação política intensa no período da manhã. A primeira mesa teve como tema o poder das bigtechs, com o especialista Henrique Pereira, da Agência Interlig de Comunicação Digital e autor do livro “Teia Popular: soberania digital para vencer essa guerra”.

“Nós estamos vivendo algo nunca antes visto. Somos cada vez mais dependentes da tecnologia, com perda de controle sobre os dados e uma forte influência externa na política e na economia, por meio das plataformas digitais”, afirma Henrique. Ele explica que, somados à perda de controle dos dados, esses problemas colocam em questão a soberania do Brasil, ou seja, ameaçam a capacidade do país em gerir sobre seu próprio território, população e política.

Pesquisa apresentada pelo especialista aponta que, à medida que aumenta o acesso da população às plataformas digitais e tecnologias de comunicação, proporcionalmente, a extrema direita avança no mundo contemporâneo. “Estamos falando de grupos fascistas, ligados ao nazismo. Sua volta representa não só um risco à democracia, mas também à vida”, preocupa-se.

Para o facilitador do debate, embora o desafio seja extremamente difícil, não é impossível vencer o poder das bigtechs. São necessárias ações locais, de diálogo e conscientização junto à população, com adoção de uma perspectiva internacional, juntamente com a construção da regulamentação dessas grandes empresas de tecnologias.

“Ao mesmo tempo, é preciso que se construa uma infraestrutura nacional, promova o desenvolvimento de tecnologia, e realize a construção de espaços de armazenamento de dados”, afirma. 

Henrique explica que, aos sindicatos, cabe preparar-se para esse cenário e para enfrentar a falta dessas tecnologias de comunicação, já que, atualmente, a relação com a categoria tem se dado centralmente por meio de redes como WhatsApp, Instagram, YouTube e demais plataformas controladas por bigtechs. “O sindicato não precisa de curtidas e likes, precisa é de conscientização e mobilização”, provoca.

Para que serve a luta sindical?

Na sequência, uma temática que toca diretamente os interesses dos servidores na conjuntura atual: a questão fiscal e os obstáculos à luta sindical. A discussão foi conduzida pelos economistas do DIEESE Frederico Melo, técnico do Escritório Regional, e Thiago Rodarte, da subseção Justiça.

A partir de um histórico da luta sindical, desde suas origens, Melo demonstrou a necessidade de articulação das lutas de categoria com as lutas pelos interesses comuns de toda a classe trabalhadora. Por outro lado, ao discorrer sobre a questão fiscal, ele elucidou como, embora o controle do gasto público seja importante, o modelo vigente, que prima pela austeridade, é danoso ao serviço público.

“As regras fiscais são necessárias, mas, muitas vezes, elas amarram o governo, o ente da Federação, fazendo com que o objetivo de ter um equilíbrio, menor endividamento, se sobreponha aos demais deveres do Estado. Como se fosse exigido do Estado que o princípio da sua ação fosse zerar as contas, em detrimento do que acontece nas demandas de Justiça, de Saúde, de Educação”, denuncia.

Abordando as questões específicas dos servidores do Judiciário, Thiago Rodarte questionou o fato de o movimento sindical não poder participar da elaboração do orçamento no Tribunal de Justiça. 

“Se esse processo fosse realmente democrático e transparente, o sindicato como representante da categoria poderia participar da montagem do orçamento. Porque, quando a gente consegue participar das reuniões de apresentação, o orçamento já está pronto. As dotações que vão para os servidores e para os magistrados já estão definidas”, aponta o economista.

Rodarte também resgatou o caráter das disputas que envolvem o orçamento público, como parte da luta de classes. “Embora, a rigor, o servidor não seja diretamente explorado por um patrão em uma atividade lucrativa, seu empregador atua como preposto dos detentores do poder econômico. Então, não se pode jamais esquecer que a luta pelo orçamento é uma luta política. Por que, afinal, há tanta desigualdade entre membros de poder e servidores?”, questionou.

Para garantir a voz dos servidores nesse cabo de guerra por direitos, o SERJUSMIG trabalha diariamente em prol da categoria. A diretoria ocupou a mesa central do Encontro para relatar os bastidores da luta, os desafios e o cotidiano da atuação sindical. 

“A luta não se faz só na mesa de negociação, todos os dias estamos no prédio do Tribunal, em reuniões e articulação. Não temos a caneta na mão para tomar a decisão, mas o compromisso com os trabalhadores é todo dia”, orgulha-se Willer Luciano Ferreira, Diretor Financeiro do SERJUSMIG.

Saúde, cuidado e proteção

Após o almoço, a saúde do trabalhador protagonizou os debates do Encontro de Delegados. A primeira mesa debateu prevenção e cuidado, com a participação de membros do Núcleo de Saúde do Trabalhador do SERJUSMIG-NST, espaço de combate ao assédio e sofrimento laboral, bem como a todas as formas de discriminação.

As discussões foram conduzidas, inicialmente, pelas profissionais Júlia Cavalcante, fisioterapeuta e mestre em ciências da reabilitação, e Juliana Horta, enfermeira e especialista em promoção de saúde para organizações.

“O trabalho faz parte da sua vida, e a saúde tem que fazer parte do trabalho”, define a enfermeira Juliana, que alerta sobre a dificuldade em atingir metas de novos hábitos quando se busca transformações radicais. “A campanha da Unimed BH ‘Mude 1 hábito’ ajuda a definir prioridades e traçar estratégias para alcançar os novos objetivos. É importante se perguntar, ‘o que eu preciso mudar na minha vida hoje?”.

Na luta por um ambiente de trabalho saudável no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) há anos, o NST reforça seu papel de combate ao assédio e apoio ao servidor em sofrimento. “Sempre que um servidor precisar, nós estamos aqui, em uma posição de não julgar e somente acolher”, revela Raquel Orlando, especialista e funcionária do SERJUSMIG no Núcleo.

Os diretores Ana Maria Bertellii, Felipe Galego e Eduardo Couto fecharam o dia com uma exposição sobre a estrutura e serviços do SERJUSMIG, convidando os delegados presentes a fortalecer a entidade e a luta por direitos.

“Nós estamos aqui como militantes, porque acreditamos na luta, na união dos trabalhadores. Não é fácil o dia a dia do trabalho sindical, não tem hora pra acabar, não tem ponto pra bater e fechar o dia, mas nós dedicamos nossa vida a melhorar as condições dos servidores da Justiça de Minas Gerais, do país e todos os trabalhadores”, relata Ana Maria.

Na oportunidade, integrantes do Coletivo de Negros e Negras do SERJUSMIG comemoram um ano de fundação, realizada no Encontro de Delegados do ano passado. Desde então, foram realizadas diversas ações e novos servidores se somaram à luta por igualdade racial no Judiciário.

“O CNJ tem dados recentes de representatividade de pessoas negras na Justiça, magistratura, chefias e servidores. Os números estão muito aquém da população brasileira, que tem 55,5% de negros e negras. No Tribunal, são cerca de 14% de magistrados, média de 30% dos servidores”, denuncia Pollyanna dos Santos, integrante do Coletivo.

Ao fim do evento, o grupo realizou uma reunião de organização e trabalho. Os assistentes sociais presentes no encontro também aproveitaram o momento para se reunir, sob a condução da diretora social Ana Maria Bertelli.

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