
A OMS define depressa~o como um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, ause^ncia de prazer, oscilac¸o~es entre sentimentos de culpa e baixa autoestima, ale´m de distu´rbios do sono ou do apetite. Tambe´m ha´ a sensac¸a~o de cansac¸o e falta de concentrac¸a~o. Estimativas da OMS apontam que em 2020, a depressa~o sera´ a maior causa de afastamento nas empresas do mundo inteiro. A depressa~o tornou-se um problema social, “o mal do se´culo XXI”.
Atualmente, o capitalismo, atrave´s do projeto neoliberal, vai explorando a força de trabalho humana, esgotando corpos e mentes de quem trabalha. A consequencia é o adoecimento psiquíco, emocional e fisico. Alertamos que o adoecer na~o e´ uma fraqueza do sujeito, mas um efeito do modo de produc¸a~o e dos modelos de gestão, pois o trabalho assume o lugar central de nossas vidas. Todo nosso tempo é em função do trabalho. Antes trabalha´vamos para viver, hoje vivemos para trabalhar e coitado do adoecido e do desempregado pois eles sa~o exclui´dos do processo produtivo e a culpa e´ jogada nele, a vítima, e na~o no modelo como se organizou o trabalho no século XXI.
Outro componente de adoecimento laboral, é o asse´dio moral, muitas vezes associado a um modelo de gesta~o adoecedor, que esgota toda a energia fi´sica, psi´quica e emocional do trabalhador. O efeito do assédio moral é o adoecimento do trabalhador, que e´ descartado com pensamentos de culpa, de ser um fraco, de na~o ter dado conta de se superar diariamente na produtividade que e´ a explorac¸a~o da mais valia do trabalhador e dos coletivos do trabalho.
Edith Seligmann-Silva, psiquiatra, doutora em medicina, afirma que:
O asse´dio moral em casos de pessoas adoecidas, menos produtivas, pode ocorrer devido a reabilitac¸a~o inadequada que pode levar, inclusive ao asse´dio grupal, com a participac¸a~o de colegas, o que pode ser explicado pelo sentimento de que a pessoa, por produzir menos, sobrecarrega os demais, que podem, de fato, sentir-se sobrecarregados. E´ uma situac¸a~o na qual na verdade, quem adoeceu deveria ser reabilitado em uma func¸a~o adequada a suas outras capacidades. (SELIGMANN-SILVA, 2011)
Quando a poli´tica de metas e produtividade e´ lanc¸ada como um furaca~o no servic¸o pu´blico, na~o se estuda o que aconteceu quando este modelo foi implementado nas privatizac¸o~es dos bancos estaduais, com o alto i´ndice de adoecimento dos banca´rios e elevado suici´dios no ambiente de trabalho. Esconde-se os efeitos deste modelo, para elogiar o “sucesso” do aumento da produtividade.
A obsessa~o por metas e produtividade, ate´ hoje modelo do sistema banca´rio, adoece e mata, conforme va´rios estudos e pesquisas, e o trabalhador fica com a culpa de na~o ter dado conta, de que ele e´ incompetente, ou seja, introjeta o discurso da organizac¸a~o do trabalho, sem perceber que ele da´ o ma´ximo de si, e na~o foi reconhecido seu limite enquanto ser humano, e o pior, existem milhares para ocupar o seu lugar e adoecer e talvez até morrer. Fica para o trabalhador o adoecimento, a sensac¸a~o de fracasso, de que podia ter se esforc¸ado mais, de na~o ter dado conta. A culpa e a vergonha dominam corac¸o~es e mentes destes trabalhadores adoecidos pelo sistema onde o que importa é bater constantemente as metas e ser mais produtivo. O dado estatístico e´ tudo que importa, e o ser humano é simplesmente um meio para alcançar as metas e para isso tem de ser explorado até a exaustão. E´ como a metáfora do filme de Fritz Lang, “Metro´polis”, Moloch, o devorador de almas, que atrave´s do excesso de trabalho leva a exausta~o total do trabalhador.
Trago essas reflexo~es, radicais para alguns, mas fundamentaispara o debate, para que cada um de no´s reflita e tenha plena conscie^ncia de que o trabalho so´ vai libertar a humanidade quando for um trabalho que tenha sentido para quem executa esse trabalho, quando o trabalhador for respeitado em suas diferenc¸as. Quando a voz do trabalhador estiver presente na poli´tica de metas, quando o coletivo se organizar em busca de mais produtividade sem que os envolvidos adoec¸am por isso. Para isto, o trabalhador deve ser respeitado, amparado, ter o direito de adoecer ou de a mulher engravidar sem ser punida por isso, e voce^s, servidores pu´blicos, alvos da mi´dia, do Estado, do Congresso Nacional, nunca se esquec¸am de que sa~o concursados, com estabilidade, para fazer com que o interesse pu´blico na~o se transforme em mais um lote de explorac¸a~o da iniciativa privada. Atrave´s da terceirizac¸a~o dos servic¸os pu´blicos, transformara~o o que e´ pu´blico em privado, beneficiando como sempre as elites e os poderosos.
Procure o SERJUSMIG e ajude nossa luta para que o trabalho não seja fonte de sofrimento e adoecimento.
Arthur lobato é psicólogo, especializado no campo da saúde do trabalhador.
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