
Tema delicado para a sociedade e desafiador para o sistema jurídico, a adoção será assunto de novo livro promovido pela Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes-EJEF.
Buscando desmistificar e despertar o interesse das pessoas pelo tema, além de incentivar e estimular a adoção, o novo projeto da EJEF “ADOÇÃO – CORAÇÕES QUE SE ABRIRAM PARA ACOLHER E AMAR” reúne uma coletânea especial de histórias que tenham a adoção como tema central e as experiências positivas decorrentes desse processo.
“A vivência de magistrados permitiu observar casos em que se fazia o histórico social da pessoa ou casal pretendente a adotante, dava-se inicio ao processo e, no momento da confirmação, o medo e a preocupação falavam mais alto e mudavam de ideia”, relata a Desembargadora Mariangela Meyer Pires Faleiro.
Daí surgiu a ideia de trazer experiências positivas e quebrar esse tabu que é a adoção, mostrar que não é tão complicado quanto possa parecer.
Adoção: desmistificar é preciso
A desembargadora Mariangela, que é também Superintendente Adjunta da Escola Judicial, é mãe de quatro filhos, uma delas adotada. Ela conta que o medo e dúvida antes da adoção são comuns e compreensíveis, pois é um momento que parece exigir uma decisão firme e segura.
No entanto, ela explica que a carga e preocupações geradas por um filho adotivo não difere daquelas trazidas pelos filhos biológicos, como cuidados com a saúde, educação e valores. “Da mesma forma que se prepara o enxoval quando se está grávida, conversa com toda a família, as preocupações com os finais de semana e dias de lazer. É o mesmo com o adotante, e eu diria que quem adota está livre do sofrimento físico da gestação, parto e pós-parto”, completa.
O livro se propõe a esclarecer os futuros pais, com experiências e realidades diferentes que vão trazer inúmeras informações. Como lidar com o momento de contar ao filho, o dia da chegada da criança e outros elementos do processo para fortalecer a segurança sobre a adoção. “Quando se conhece o processo de outros, entende-se que as questões emocionais e do dia a dia se resolveram de forma tranquila como resposta de um ato de amor, é possível ficar mais tranquilo”, anima-se a Desembargadora Mariangela.
34 mil crianças e adolescentes para adoção no Brasil
Em março deste ano, dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), apontavam que há 34,8 mil crianças e adolescentes em casas de acolhimento, sendo que 60% são adolescentes. Por outro lado, há também cerca de 36 mil pretendentes a adoção, mas as exigências fazem um verdadeiro abismo entres estes números.
Mariangela explica que os pretendentes criam seres que não existem. “A preferência é sempre por bebês recém-nascidos, brancos, loiros e de olhos claros. Mas o padrão do brasileiro é muito diferente dessas características, principalmente as crianças aptas à adoção”, lamenta.
A Desembargadora acredita que quando os pais estão mais livres dessas exigências, o processo é facilitado e muito bonito. Ela conta que no TJMG há casos de adoção de crianças com deficiência que deram muito certo, dentre diversos outros exemplos. “O retorno é enorme quando o ato é de amor. No momento que você está disposto a doar, o que recebe é tão bom e tanto que não tem com descrever de tanta maravilha”, garante Mariangela.
Projeto está aberto para receber histórias de adoção
O projeto da EJEF está aberto para recolher as histórias dos servidores e magistrados adotantes ou adotados até o dia 30 de novembro, que podem ser enviadas para o e-mail artigos.juridicos@tjmg.jus.br, com observância dos critérios técnicos listados na página do projeto no site da Escola.
A expectativa é que a coletânea seja publicada até o dia 25 de maio de 2021, Dia Nacional da Adoção.