
Uma das características do assédio moral é a perseguição que a vítima sofre. Segundo o dicionário, PERSEGUIÇÃO significa “tratamento cruel ou violento, medida arbitrária movida contra um indivíduo ou um grupo”. Há um tratamento diferenciado no ambiente de trabalho. A “flexibilidade” só existe para alguns colegas de trabalho, os quais podem se ausentar por problemas pessoais, chegar um pouco mais tarde, sair mais cedo, ir ao médico ou dentista no horário de trabalho.
Entretanto, existe no grupo de servidores um trabalhador que percebe que para ele a lei é a lei. Pequenos atrasos são motivos de reclamação por parte da chefia, os elogios são sempre feitos, pela chefia, aos outros colegas e nunca a ele. Há casos em que o servidor está com um familiar doente, em situação de risco de vida, e, mesmo assim, as chefias são inflexíveis.
Muitas vezes o que é uma questão de direito para o servidor, é confrontado e negado pelo poder de quem exerce o cargo de chefia. Há cobranças excessivas ou injustas sobre o serviço, as advertências são praticadas sob o pretenso manto da legalidade, as avaliações de desempenho são injustas. Enfim, esses são alguns exemplos do tratamento diferenciado praticado por chefias contra o servidor, na forma de perseguição, subjugando a vontade do sujeito até o limiar de suas forças.
É sempre bom lembrar que o assédio moral no trabalho é um conjunto de práticas perversas, com intenção de prejudicar uma pessoa. O assédio moral é realizado ao longo do tempo, muitas vezes com participação dos próprios colegas, instigados pela chefia.
Assim, todo assédio moral contém atos de humilhar, perseguir e prejudicar o trabalhador. O mal-estar emocional e psíquico é vivenciado pelo trabalhador, causando desânimo, desmotivação, afetando, portanto, a autoestima, sua capacidade emocional e laboral.
No serviço público, busca-se com o assédio moral a remoção do servidor do setor, já que após o processo de assediar o que temos é o adoecer emocional, psicológico e físico do trabalhador, e, muitas vezes, a incapacidade laboral da vítima de assédio moral. Temos de contra-atacar este projeto neoliberal de exclusão, de violência moral, social e econômica, com organização, liderança e participação de todos nós trabalhadores e sindicatos, seja da iniciativa privada ou do serviço público.
A luta contra o assédio moral significa combater o autoritarismo e defender a dignidade da pessoa humana, valor primordial da Constituição de 1988.
Este é um dos objetivos do NST SERJUSMIG.
Artigo de Arthur Lobato, Consultor na Área de saúde do Trabalhador; Especialista no Combate ao Assédio Moral; Psicólogo CRP 04 22507; Fundador e integrante do Núcleo de Saúde do Trabalhador do SERJUSMIG (NST).
