
Criar um ser humano; ser a principal referência na construção de um membro da sociedade que ainda está em formação; prover saúde, educação e alimentação a essa pessoa. Isso é ser mãe. A tarefa, como já sabido, é árdua, dolorosa e exaustiva.
Mas o grande privilégio que têm as mães em conviver diariamente com um pequeno em casa, seus trejeitos, as novidades, os sorrisos e o amor envolvidos são considerados recompensadores. Mas seriam mesmo?
Muito se fala hoje de maternidade real X maternidade ideal. Com as conquistas de direitos das mulheres, frutos de uma história de lutas, garante-se algum apoio, como pensão, participação dos pais e família, creche em horários de trabalho e outros. Mas a maternidade real mostra que ainda se está muito longe de garantir a aplicação de legislações e regras sociais exigidas no apoio às mães.
De acordo com a Constituição Brasileira de 1988, em seu art.7º, é responsabilidade do Estado garantir o “direito à assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até seis anos de idade em creches e pré-escolas”. No entanto, segundo pesquisa realizada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, “Desafios do acesso à creche no Brasil”, de julho de 2020, mais de um terço das crianças com até 3 anos e 11 meses não tem acesso a atendimento.
Ainda para aquelas que conseguem um local para deixar seus filhos durante o horário de trabalho, podem não conseguir emprego algum. Segundo o estudo Estatísticas de Gênero, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizada em março de 2021, apenas 54,6% das mães de 25 a 49 anos que têm crianças de até três anos em casa estão empregadas. Já os homens com filhos pequenos são 89,2% com emprego garantido.
Outro dado representa como a sobrecarga da mulher na maternidade já era inaceitável e ficou ainda maior durante a pandemia. 320 mil crianças foram registradas sem o nome do pai durante os 2 anos, representando um aumento de 30% quando comparado aos dados de 2019. Os números são da Arpen – Brasil – Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais.
A situação das mães brasileiras fica ainda mais difícil no atual momento do país, com índices de inflação estratosféricos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 10,06% em 2021, confirmando este como um dos anos de maior inflação desde 2015.
A alta inflação gerou o aumento significativo no custo médio da cesta básica. De acordo com pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre fevereiro e março deste ano, os itens que tiveram aumento de preço em todas as capitais do país são: feijão, óleo, pão, farinhas de trigo e mandioca, tomate, açúcar, manteiga e leite.
Infelizmente, itens muito comuns na mesa da família brasileira. O acréscimo para alguns alimentos chega até 15% em apenas um mês. Vê-se então mães sem ter o que servir à mesa para os filhos.
Carinho e amor ajudam, mas é preciso Política Pública
A alegria que é para uma mãe ver o seu filho crescer forte e saudável está sendo negada à muitas mães no país. Políticas Públicas de assistência social, como merenda escolar, Bolsa Família, aluguel social e outros são pautas urgentes, que devem ser retomadas amplamente.
Ampliação de vagas em creches e escolas em tempo integral; políticas de garantia de emprego; e punição adequada aos pais que fogem ao pagamento da pensão alimentícia se somam a lista das exigências das mães neste 8 de Maio.
Justiça Social, dignidade, respeito, igualdade de gênero, é o que o SERJUSMIG deseja à todas as mães, em especial às Servidoras do Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais. E como presente, o Sindicato firma aqui o compromisso em seguir lutando por mais direitos e melhores condições de vida!
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