
Os últimos anos no mundo têm sido de violência, conflitos armados, desequilíbrio econômico e social. Em meio à crescente insegurança e a crises acumuladas, a democracia perde cada vez mais espaço na sociedade.
No Brasil, a extrema direita ataca as políticas sociais e de distribuição de renda, os direitos humanos e ameaça a vida de pessoas que buscam viver sua identidade e desejos. Estes ataques afetam a todos, mas têm impactos especialmente na vida das mulheres. No ano de 2023, ao menos oito mulheres foram vítimas de violência doméstica a cada 24 horas, um aumento de 22,04% em relação a 2022. Já os dados de feminicídios apontam que a cada 15 horas uma mulher morre em razão do gênero. A pesquisa é da Rede de Observatórios da Segurança.
Em Minas Gerais não é diferente. As mineradoras passam por cima de territórios tradicionais, restringem o uso da água e da terra, geram violência e impactam a saúde da população, e mais uma vez as mulheres são as mais atingidas. O governo Zema reforça essas violações, uma vez que não as coíbe ou pune.
O Conselho Estadual da Mulher sumiu, assim como as políticas públicas para as mulheres, que ficam em uma coordenadoria escondida, junto a muitas outras pautas. Zema quer ainda privatizar estatais como a Cemig e a Copasa. Os resultados seriam desastrosos, principalmente para as mulheres negras e pobres: aumento de tarifas, fim da tarifa social e dificuldade de acesso a esses serviços básicos. Definitivamente, a vida das mulheres não é uma prioridade para o governo Zema.
O 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, é de luta e reivindicação de direitos. O momento atual exige o resgate da origem desta data, muitas vezes confundida com ‘comemoração’ e ‘homenagens’.
Há sim o que se comemorar, pois a dedicação de milhares de mulheres ao longo da história possibilitou conquistas importantes. No Brasil, entre as mais recentes estão a Lei Maria da Penha, criada em 2006 com o intuito de coibir as diversas formas de violência contra as mulheres, e a aprovação da Lei do Feminicídio em 2015.
No entanto, é necessário observar que algumas mudanças que deixaram de colocar a mulher como ‘posse’ ou ‘objeto’ foram alcançadas há muito pouco tempo, como a Lei do Divórcio, de 1977, e absurda declaração de que a “falta da virgindade” deixa de ser motivo para anular o casamento somente em 2002.
Ou seja, estes valores reacionários que fizeram das mulheres prisioneiras de suas famílias e maridos, fizeram das mulheres mão de obra barata por décadas ainda refletem nos tempos de hoje. E é a partir destas crenças ainda tão próximas que a extrema direita se pauta para crescer cada vez mais junto à população e atacar os direitos humanos e dos trabalhadores.
Viremos!!
Que este 8 de Março seja o marco para a virada do povo brasileiro. Reivindicamos o fim da desigualdade de gênero, o fim da violência contra as mulheres, condições de trabalho justas. Reivindicamos a defesa dos territórios, dos bens naturais, da autonomia das mulheres. Somos contra a guerra, e contra o assassinato de nossos corpos.
Que nós mulheres sejamos a linha de frente da resistência, trazendo a bandeira da unidade. Que seja o início do fortalecimento do povo brasileiro em defesa de sua gente. Que esta data de luta renove as forças necessárias para a defesa da soberania do Brasil, para a defesa da vida das mulheres, a defesa de nossas crianças e o futuro do país.
Em tempos difíceis, convoquemos a Esperança. Sejamos nós, as mulheres, semeadoras da Esperança. Sim, nós podemos construir uma sociedade que respeite as pessoas, que respeite a natureza, que respeite a vida, as escolhas, o trabalho. E para construir, é preciso ação, é preciso união.
Esperança se faz no combate. Neste 8 de Março, ocupemos as ruas!
* Texto de Maíra Gomes, jornalista, militante feminista e mãe