
Desde a tarde do dia 4/12, os coordenadores da Federação Nacional dos Trabalhadores do Poder Judiciário nos Estados (FENAJUD) estão reunidos debatendo o planejamento da entidade, com vistas a melhor organizar suas ações.
Na quarta, 5, a reunião durou 12 horas seguidas, mas, apesar do cansaço dos participantes, foi considerada extremamente positiva. “Conseguimos avançar muito em algumas deliberações que visam a aprimorar a organização da luta dos trabalhadores dos judiciários diante da onda em curso de ataques aos direitos da categoria”, avalia a presidente do SERJUSMIG e coordenadora geral da FENAJUD, Sandra Silvestrini.
Para a coordenação da FENAJUD, discutir a forma de melhor organizar essa luta se faz necessário e inadiável, por isso é preciso superar o fato de, no momento, a própria Federação e vários sindicatos se encontrarem em situação financeira fragilizada, fruto do premeditado ataque às entidades representativas dos trabalhadores, cujo objetivo claro foi diminuir a resistência e minar a sua luta. “Importante ressaltar que essa fragilização não aconteceu sem objetivo definido. Ao contrário, ela foi orquestrada, a partir de uma campanha massiva na mídia e em redes sociais, atacando de forma generalizada os sindicatos, para, logo a seguir, aprovar a Reforma Trabalhista, que retirou recursos das entidades”, pondera Sandra.
A continuidade desse plano de retirar os direitos dos trabalhadores, a partir do enfraquecimento dos sindicatos, se dará agora com a retomada da tentativa de desmontar a Previdência Social e, a estabilidade do servidor público. Aliás, o intento maior é acabar com o serviço público, cedendo o espaço às empresas privadas para fazer um papel que, por obrigação, deveria ser exercido pelo Estado: o de assegurar direitos básicos, como saúde, segurança e educação. A ordem é privatizar.
Mas se depender da FENAJUD, não vai ser tão fácil assim.

Na quinta, 6, os dirigentes iniciaram o dia em reunião para finalizar a discussão de itens da pauta. Logo após o almoço, ouviram as análises e prospecções de especialistas para o ano que vem. Essa programação foi ofertada pelo SINJUSC aos coordenadores da FENAJUD e a sindicatos visitantes, como contribuição para melhor organização da luta, a partir de uma avaliação técnica do cenário e os desafios de 2019.
Ângela Albino, trabalhadora do judiciário federal e ex-deputada, abordou o judiciário brasileiro e a atual conjuntura. O analista político Marcos Verlaine, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), tratou do panorama em 2019, a partir dos novos integrantes do Congresso Nacional. Encerrando a tarde de debates, o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de Santa Catarina, José Álvaro Cardoso, analisou as condições econômicas do Brasil e globais sob a ótica dos trabalhadores.
Ainda no período matutino, as lideranças sindicais presentes redigiram a “Carta dos Trabalhadores do Judiciário aos Presidentes dos Tribunais “. Os presidentes dos tribunais estão reunidos em Santa Catarina desde o dia 6. O documento resume as principais reivindicações dos trabalhadores do judiciário nos Estados.
Em resposta a pedido da FENAJUD, o presidente do Colégio de Presidentes de Tribunais, des. Pedro Bitencourt Marcondes, recebeu, nesta sexta, 7, representantes da Federação, os quais lhe entregaram a carta e a solicitação de que os assuntos nela expostos tenham espaço nos debates que ocorrerão no Encontro. Também foi solicitado ao presidente que nas próximas reuniões do Conselho de Presidentes, a Fenajud tenha espaço para fala.
Uma mobilização irá encerrar a programação. No centro de Florianópolis, dirigentes sindicais de vários segmentos irão dialogar com a sociedade, entregando um panfleto com a pergunta “O que é Justiça?”. Dentro desta reflexão, vários questionamentos são apresentados: o mínimo ficar congelado e o teto ser aumentado, situação que aumenta os salários já mais altos, é justiça; pode ser considerado justo, em um país de tantas desigualdades sociais, o pobre ter que trabalhar mais para receber menos na aposentadoria, enquanto se adota medidas para aumentar salários das cúpulas e o lucro das empresas é justo, entre outros.
Nesse diálogo com os transeuntes, os dirigentes farão um contraponto às inúmeras notícias desprovidas de verdade e que têm claramente o objetivo de ganhar apoio da sociedade para a retirada de mais direitos da classe trabalhadora, como, por exemplo, a Reforma Previdenciária e o fim da estabilidade.
Para Sandra Silvestrini, esse ano que está prestes a se encerrar deixa um registro de intensas, e ao final, vitoriosas lutas. “Conseguir impedir a votação da Reforma da Previdência neste 2018, bem como que se aumentasse a alíquota previdenciária em MG; aprovar a revisão geral salarial relativa a data-base de 2017 e receber parte dos retroativos; aprovar o projeto que institui auxílios saúde e transporte; aprovar orçamento de 20 milhões para a PV 2017 e também para a 2018, fato que aumentou de forma considerável o número de vagas para a Promoção, tornam o balanço bem positivo do ano, embora as dificuldades para alcançar esse resultado tenham sido gigantescas”, ressaltou.
A presidente do SERJUSMIG ponderou ainda que os desafios para 2019 serão muito maiores. “Por isso a importância desse Encontro da FENAJUD, já que grande parte dos desafios afetam os servidores públicos de todos os segmentos e estados. Precisamos nos unir e a FENAJUD tem que se colocar apta a organizar a luta nacionalmente, a fim de que ela ganhe corpo e força”, concluiu.