
O Ministro da Economia do Governo Bolsonaro está se mostrando um verdadeiro inimigo dos Servidores Públicos.
Nesta sexta-feira, 15, em pronunciamento que marca os 500 dias do atual governo, Paulo Guedes comparou os Servidores Públicos a “saqueadores” do país. “Na hora em que nós estamos fazendo esse sacrifício, que o Brasil está no chão, é inaceitável que tentem saquear o gigante que está no chão, que usem a desculpa da saúde para saquear o Brasil na hora em que ele cai”, bradou o ministro.
A afirmação foi feita em torno da polêmica sobre o congelamento de salário e direitos dos Servidores, contida no PLP 39, aprovado no dia 06 de maio no Senado e que aguarda sanção presidencial. O Art. 8º do texto decreta o congelamento de direitos dos Servidores públicos até 31 de dezembro de 2021.
Ainda antes da pandemia, Paulo Guedes já ataca os Servidores quando, em 07 de fevereiro, acusou a categoria de agir como “parasitas” ao criticar supostos reajustes automáticos de salários de funcionários públicos, durante sua defesa a uma reforma administrativa para resolver a situação de estados que gastam mais do que arrecadam. “O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo, o hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita”, disse o economista na ocasião, em afirmações totalmente dissociadas da realidade.
Apesar de tentar reverter os incômodos causados, com pedidos de desculpas e “explicações” ao termo usado, Guedes seguiu se referindo ao Servidor Público como agente de injustiça quando, já no final de abril, afirmou que o Servidor “não vai ficar em casa trancado com a geladeira cheia assistindo à crise enquanto milhões de brasileiros estão perdendo o emprego”.
As afirmações de Guedes quando se refere aos Servidores ignoram os milhares de trabalhadores brasileiros que dia após dia, em meio à pandemia ou não, laboram pela garantia de direitos à população em diversas áreas, a exemplo da saúde, segurança pública, justiça, dentre outras.
O SERJUSMIG repudia veementemente a postura do Ministro da Economia que, à altura do cargo que ocupa, deveria ser o primeiro a reconhecer e valorizar o Serviço Público no país.
O projeto de construir “Estado Mínimo” no Brasil é a verdadeira razão das afirmações do ministro, que assim como grande parte da equipe do atual governo, busca a todo custo reduzir cada vez mais os direitos da população em detrimento do mercado privado, entregando estatais em processo de privatização totalmente desleais e reduzindo aos poucos o poder do Estado em prestar serviço público e de qualidade aos brasileiros e brasileiras.
Apesar da resistência e mobilização da categoria, entidades sindicais e parlamentares de oposição ao governo, não foi possível barrar a aprovação do PLP 39. O SERJUSMIG segue tomando providências para denunciar e barrar o congelamento dos salários dos Servidores Públicos.
O SERJUSMIG repudia que um ministro de Estado compare Servidores Públicos a saqueadores ou assaltantes. Guedes despreza o Servidor Público ao mesmo tempo em que demonstra total e irrestrita empatia pelos parasitas do mercado financeiro. Nem mesmo a pandemia, que já ceifou a vida de quase 17 mil brasileiros e brasileiras, é capaz de dar um pouco mais de humanidade ao ministro.
Ao invés de adotar medidas capazes de proteger e apoiar os milhões de desempregados, desalentados e demais trabalhadores que estão impedidos de buscar o sustento em razão da pandemia, Guedes prefere desrespeitar os trabalhadores do setor público, os mesmos que arriscam as suas vidas diariamente nos hospitais, nos fóruns e nas ruas para proteger a população frente à maior crise humanitária que se tem notícia.
O SERJUSMIG entende que a declaração do Ministro da Economia é um enorme desserviço para a população. Diante da pandemia atualmente enfrentada e que vem afetando toda a população, não é um argumento aceitável para nenhum governante atentar contra a honra e a dignidade de trabalhadores, com o objetivo de justificar os efeitos da tragédia. Situação excepcional como essa exige no mínimo mais compostura, estatura intelectual à altura de um gestor público, motivo pelo qual o SERJUSMIG não se furtará em defender, com todos os meios que a lei dispõe, a honra e a dignidade dos servidores públicos, especialmente dos servidores do Poder Judiciário de Minas Gerais.
Leia algumas falas do Ministro no pronunciamento dessa sexta-feira, 15, que dizem respeito ao Servidor Público:
“Na hora em que nós estamos fazendo esse sacrifício, que o Brasil está no chão, é inaceitável que tentem saquear o gigante que está no chão, que usem a desculpa da saúde para saquear o Brasil na hora em que ele cai. (…) E as medalhas são dadas após a guerra, não antes da guerra. Nossos heróis não são mercenários. Que história é essa de pedir aumento de salário porque um policial vai à rua exercer sua função? Ou porque um médico vai à rua exercer sua função? Se ele trabalhar mais por causa do coronavírus, ótimo! Ele recebe hora-extra. Mas dar medalhas antes da batalha? As medalhas vêm depois da guerra, depois da luta. O Brasil forte, erguido. Nós vamos nos lembrar disso, vamos botar o quinquênio, o anuênio, o milênio, o eugênio, tudo que for preciso. Mas não antes da batalha. (…) Vamos nos aproveitar de um momento desse, da maior gravidade, de uma crise de saúde, e vamos subir em cadáveres para fazer palanque? Vamos subir em cadáveres para arrancar recursos do governo? Isso é inaceitável! Por favor, enquanto o Brasil está de joelhos, nocauteado, tentando se reerguer, por favor, não assaltem o Brasil. Não transformem, num ano eleitoral, onde é importante tirar o máximo possível do gigante que foi abatido. Deixa ele levantar. (…) Não permitam que esse dinheiro que está sendo dado de boa fé (…) vire aumento do funcionalismo.”