
O Núcleo de Voluntariado do Tribunal de Justiça Minas Gerais (TJMG) arrecadou, entre os dias 3 e 26 de março, alimentos e materiais de higiene pessoal para serem distribuídos a pessoas em situação de rua em Minas Gerais. O SERJUSMIG participou da ação, contribuindo com doações, no valor de R$ 5 mil e também na divulgação da campanha.
Graças às doações de diferentes entidades e pessoas voluntárias, foram arrecadadas 507 cestas básicas, 1.411 itens de higiene pessoal, 100 pares de chinelos, 8 mil máscaras e uma tonelada de alimentos desidratados, totalizando 11 mil itens. As doações foram entregues a entidades que prestam assistência a pessoas que vivem nas ruas.
“Só podemos agradecer a todos os magistrados, servidores, colaboradores, instituições e pessoas que aderiram à nossa campanha”, disse, durante a entrega dos alimentos, na última sexta (26), a desembargadora Maria Luíza de Marilac, presidente do Núcleo de voluntariado.
A ausência de políticas públicas amplia a importância da solidariedade
De acordo com dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), em maio de 2020, já havia mais de 150 mil pessoas em situação de rua no Brasil, sendo 18 mil só no estado de Minas Gerais. Destas pessoas, metade concentrava-se em Belo Horizonte. No acumulado em 12 meses, o aluguel ficou 28,94% mais caro, de acordo com o Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas, divulgado em fevereiro.
Outro grave problema é a fome no país. Em setembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que, no biênio de 2017/18, 5% da população brasileira (10,3 milhões de pessoas) viviam em domicílios com situação de insegurança alimentar grave, antes mesmo da pandemia, e 84 milhões enfrentavam algum grau de insegurança alimentar.
O país que, em 2014, saíra do mapa da fome das Nações Unidas, está prestes a retornar a essa triste lista. Em 2020, o custo da alimentação no domicílio, medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 18,15%, enquanto que, fora de casa, cresceu 4,78%. Já o reajuste do salário mínimo em 2021 foi de 5,22%.
Ao mesmo tempo, o Brasil rompeu a marca dos 14 milhões de desempregados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Chega a 5,7 milhões o número de desalentados, isto é, pessoas fora da força de trabalho por não conseguirem trabalho, não terem experiência, serem muito jovens ou idosos ou por não encontrarem emprego na localidade. Informais são mais de 33,5 milhões, registrando um crescimento de 11,2% no último trimestre.
Importância da solidariedade
O SERJUSMIG entende que, nesse contexto de crise social, com agravamento da pobreza e desigualdade, a falta de políticas públicas de promoção da igualdade e do bem estar social dificulta uma saída da situação. Aumenta, por consequência, a necessidade de campanhas de solidariedade, que ajudem a população mais vulnerável a atravessar esse momento com um mínimo necessário e, ao mesmo tempo, alertem para a urgência de uma solução. O vice-presidente Eduardo Couto também ressalta que, embora o papel do Sindicato seja, primordialmente, a defesa dos interesses da categoria, a promoção da solidariedade também faz parte da missão do SERJUSMIG.
“Esta não foi a primeira vez em que participamos deste tipo de ação. Em janeiro, juntamente com a Fenajud (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados), ajudamos a comprar cilindros de oxigênio para socorrer o sistema hospitalar em Manaus (AM), onde dezenas de pacientes com Covid-19 morreram por falta desse material. Também contribuímos em campanha para socorrer a população do Amapá, durante o apagão ocorrido naquele Estado, dentre outras ações solidárias”, exemplifica Eduardo, ressaltando que a mobilização solidária é uma tradição nas organizações dos trabalhadores.
SERJUSMIG
Unir, lutar e vencer