
Antes de simplesmente falar que “tem dia pra tudo no calendário”, vamos aproveitar a data, instituída pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), para refletir o que pode ser feito para prevenir acidentes e doenças ocupacionais, e qual cultura de segurança e saúde queremos viver quando o assunto é ambiente de trabalho.
É natural que esse tema nos remeta aos possíveis acidentes físicos de trabalho, não é verdade? E, nesse ponto, é inegável o avanço na prevenção de acidentes, desde as décadas de 60, 70, quando houve a normatização e a obrigatoriedade dos equipamentos de segurança no ambiente de trabalho, de proteção individual, os chamados EPIs.
Hoje, por exemplo, é normal aos nossos olhos que profissionais da construção civil usem capacete e botas, ou que profissionais da área de saúde trabalhem com luvas e óculos, mas nem sempre foi assim. Embora saibamos que ainda há que se avançar, especialmente no quesito de fiscalização do uso, as ações de prevenção de acidentes com rotina do uso de EPIs contribuíram para significativa redução do número de incidentes no trabalho ao longo das décadas. Parabéns, ponto positivo.
Porém, hoje também é dia de conscientizar sobre os riscos de adoecimento nos ambientes de trabalho. Nesse ponto, dados objetivos mostram o crescente adoecimento e o consequente impacto – financeiro e de gestão – dos afastamentos por licença saúde em razão de um ambiente de trabalho nocivo e desrespeitoso.
Para quem gosta de números, em 2025 o Brasil registrou mais de 4,12 milhões de afastamentos do trabalho por motivos de saúde (incapacidade temporária), o maior número desde 2021. Houve um recorde de 546.254 benefícios concedidos por transtornos mentais, um aumento de 15,66% em relação a 2024!
E o que a gente vai fazer com esses números tão altos?
Ignorar não pode ser uma opção.
E é a partir desse ponto que precisamos falar dos EPIs da saúde mental!
Um ambiente verdadeiramente próprio para o trabalho, que diminui e até blinda o risco de acidentes, mas que também está atento aos riscos psicossociais, que promova a saúde mental dos trabalhadores; medidas que protegem e agucem o bem-estar emocional e psicológico da equipe.
É esperado que isso possa soar novo e até utópico demais, mas, a exemplo do período de entendimento e adaptação dos EPIs lá atrás, é preciso vivermos o entendimento para a saúde mental, que também precisará de treinamento aos gestores e trabalhadores sobre como implementar medidas de cuidado a partir da consciência da importância.
E é por entender essa importância que o SERJUSMIG cobra alinhamento da Administração do TJMG, mas também provoca a reflexão dos servidores sobre o quão necessário é incluir a cultura e treinamento sobre os EPIs da nossa saúde mental, para além da física.
Atos simples, como: a cultura do respeito; gestão treinada e humanizada; ordens claras; direitos e deveres bem definidos; canal de comunicação direto, disponível e seguro; flexibilidade de horários, quando compatível com o desenvolvimento do trabalho; direitos assegurados; prevenção e combate rígido ao assédio, à discriminação, são alguns simples exemplos de cultura para um ambiente saudável de trabalho, que ajuda também a combater o adoecimento.
Nessa seara, a legislação também já avançou com normas que tratam dos riscos psicossociais – como a NR1 que já está em vigor e, em breve, promoverá fiscalização de seu cumprimento – e, breve esperamos, que tão comum quanto o uso de capacete, será a aplicação da gestão humanizada no trabalho.
O Núcleo de Saúde do Trabalhador (NST) do SERJUSMIG está à disposição para o acolhimento e direcionamento quando o assunto é construção de ambientes saudáveis de trabalho.
Artigo de Raquel Orlando, Assessora da Diretoria do SERJUSMIG e integrante do NST.
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