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SERJUSMIG

Mães: Bom que fosse feliz não só o seu dia, mas a vida toda

 

Segundo dados dos cartórios de Registro Civil do Brasil, 6,5% das crianças nascidas no primeiro semestre de 2022 não têm o nome do pai em sua Certidão de Nascimento. São cerca de 57 mil mães sem qualquer reconhecimento de seus filhos pelos pais.  

Há ainda as crianças “registradas pelo pai”, mas que não contam com a presença em sua criação. A última pesquisa do gênero foi realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2021, onde foram estimadas 11 milhões de mulheres sozinhas nos cuidados com seus filhos.

Nesta conta, entram ainda as milhares de mulheres que vivem com seus parceiros, portanto, não são consideradas mães solos. Mas ainda assim, a elas é delegado o cuidado exclusivo com as crianças, devido à negligência dos homens com a paternidade.

Estes dados e informações podem ser vistos como justificativa para dar às mulheres mães a alcunha de “guerreiras”, “divinas”, “lutadoras incansáveis”. Mas é justamente isso que o SERJUSMIG gostaria de questionar neste dia das mães.

 

Depressão e Burnout Materno

“Desde de que a minha filha nasceu, eu não soube mais quem eu sou como pessoa, como mulher. Os cuidados com ela, a preocupação, os ideais de uma criação respeitosa e que lhe garanta um bom desenvolvimento me consomem dia após dia”, lamenta Maíra Gomes, jornalista.

Ela tem uma filha de apenas dois anos, e foi recentemente diagnosticada com depressão. A jornalista procurou ajuda após passar meses com um sentimento excessivo de tristeza, falta de motivação e ansiedade, culminando em crises de raiva e explosões.

Infelizmente, o caso é apenas um exemplo do que vivem milhares de mulheres mães no país e no mundo. Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, apontou que 68% das mães que trabalham enfrentam sintomas parecidos, caracterizando quase uma pandemia do que está sendo chamado no mundo científico de Burnout Materno, ou Exaustão Materna.

Diferente do que a romantização da maternidade prega, elas não são guerreiras, e sim mulheres sobrecarregadas. Segundo a pesquisa, o burnout materno é caracterizado pela exaustão física, emocional e mental devido às demandas contínuas de cuidar dos filhos. Em muitos casos, os sintomas aparecem como sentimento de raiva ou ressentimento por ter que cuidar das crianças.

Entre os muito sintomas, alguns são:
– Sentimentos excessivos de tristeza, preocupação e ansiedade;
– Mais sono do que o normal, ou dificuldade de dormir; 
– Dificuldade de se concentrar ou tomar decisões; 
– Sentimento de culpa por não ser uma boa mãe, perda do interesse em coisas pelas quais se interessava anteriormente; 
– Chorar frequentemente sem nenhuma razão, desinteresse pelos seus cuidados pessoais; 
– Falta de motivação para as tarefas diárias; 
– Falta de prazer ou alegria por ter tido um bebê ou dificuldade em se conectar com o bebê; 
– Pensar em ferir a si própria ou ferir seu bebê;

A maternidade é algo que pode ser vivenciada como realização e prazer, mas também como problemática e difícil, uma vez que as mulheres, independente da camada social, são atingidas direta ou indiretamente por condições adversas, porém, de formas e intensidades variadas.

A depressão pós-parto é também comum, podendo ser diagnosticada muito após o nascimento e durar até anos. Os sentimentos de melancolia podem se manifestar de maneira intensa e desmedida, fazendo com que a mãe se sinta completamente desmotivada diante da vida, não tendo forças para lidar com essa nova rotina.

Nestes casos, a mãe tem pouca ou nenhuma interação com o bebê, tendo sintomas como choro frequente, irritabilidade, ansiedade, sentimentos de desesperança e desamparo, desinteresse sexual, transtornos alimentares e do sono, sentimentos de incapacidade de lidar com novas situações são emocionalmente potencializadas e diminuição da energia e motivação.

O acolhimento às mães é urgente e necessário. O reconhecimento dos sintomas e a procura por ajuda fará grande diferença na saúde da família e até mesmo no desenvolvimento da criança.

Especialistas afirmam que, por mais que deseje e queira muito, uma mãe que não está nas melhores condições de saúde, não vai ter melhores condições para oferecer para o seu filho saúde mental, conforto e acolhimento.

“A medida que eu ia piorando, minha filha também apresentava sintomas junto comigo. Ela não queria mais ir à pracinha, depois não quis sair do quarto, nem sequer tinha interesse em brincar com os colegas no recreio da escola, ela preferia ficar sozinha na sala de aula”, conta Maíra, mãe de Maria Lúcia.

Além de cuidados básicos com a saúde, como boa alimentação e exercícios, a construção e fortalecimento de uma rede de apoio é fundamental, seja com familiares, relação com outras mães, reforçando vínculos com amigas. Os afazeres domésticos também devem ser divididos, como cuidar da louça, roupas, alimentação e outros.

No entanto, é o cuidado profissional, como um psicólogo ou psiquiatra, que fará toda a diferença. Frente à mínima suspeita, apresentando comportamentos disfuncionais, é importante que a mulher busque atendimento especializado, seja com psiquiatra ou psicólogo especialista em saúde materna.

O SERJUSMIG deseja um feliz Dia das Mães, com tranquilidade, amor, união e apoio. Esperamos que o dia se estenda por toda uma vida, e que a maternidade deixe de ser um peso para de fato se tornar um prazer na vida das mulheres. 

Feliz Dia das Mães!

 

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Unir, Lutar e Vencer