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SERJUSMIG

ARTIGO | Assédio moral, sintomas e depressão




O assédio moral é uma forma de violência psicológica caracterizada por condutas abusivas, repetitivas e prolongadas, que têm por objetivo ou efeito humilhar, desestabilizar emocionalmente ou desvalorizar um indivíduo no ambiente de trabalho. Essas atitudes podem vir de superiores, colegas ou até mesmo subordinados, e se manifestam por meio de críticas constantes, isolamento, sobrecarga de tarefas, boatos, entre outras ações que afetam a dignidade e a autoestima da vítima.

A depressão é um transtorno mental, que envolve sentimentos persistentes de tristeza, desesperança, falta de energia, perda de interesse em atividades antes prazerosas, alterações no sono e no apetite, entre outros sintomas emocionais e físicos. Ela pode ter causas multifatoriais, incluindo predisposições biológicas, fatores ambientais e experiências traumáticas — como o assédio moral.

A relação entre assédio moral e depressão no trabalho é preocupante. O ambiente de trabalho deveria ser um espaço de crescimento e valorização profissional, mas quando se torna hostil e abusivo, pode desencadear sérios danos à saúde mental. A exposição contínua ao assédio moral mina a autoestima do trabalhador, gera insegurança, medo e um sentimento constante de impotência. Esse desgaste emocional crônico é um dos principais fatores que contribuem para o desenvolvimento da depressão como consequência do assédio moral.

A depressão além de ser uma doença pode ser também um sintoma de um mundo em ruínas. Este mundo em ruínas, tanto pode ser o nosso mundo interno, da subjetividade, quanto o mundo externo a nós, que muitas vezes inviabiliza nossos sonhos e desejos e evolução profissional.

Estudos demonstram que trabalhadores vítimas de assédio moral no trabalho, vivenciaram “uma jornada de humilhações”, conforme atesta Margarida Barreto (2003), em seu livro “Violência, Saúde e Trabalho.  O assédio fragiliza emocionalmente e psiquicamente a vítima. Ser humilhado diariamente abala. Surgem sentimentos de culpa, baixa autoestima, pensamentos obsessivos – “sou incompetente”-, dúvidas sobre a própria capacidade laboral. 

O sintoma é aquilo que emerge, que aparece, que denuncia o mal-estar. As vítimas de assédio moral mantêm um sentimento de terem sido rejeitadas, maltratadas, desprezadas, humilhadas. 

O trabalhador, sob forte estresse, causado pelo doloroso processo de assédio moral, apresenta vários sintomas como: crises de angústia, choro, desânimo, cansaço, nervosismo, insônia, taquicardia, perturbações gastrointestinais, perda de libido. Aparentemente, esses sintomas não possuem relação com o assédio, mas eles podem ser efeitos das humilhações vividas no trabalho. Daí a necessidade de se guardar os atestados médicos, exames clínicos, consultas a médicos, psicólogos e psiquiatras. 

Muitas vezes, sem perceber, a vítima de assédio moral faz uso de medicamentos em excesso, bebe diariamente (alcoolismo), falta ao serviço sem justificativa (absenteísmo). O consumo indiscriminado de drogas lícitas e ilícitas vai aumentando, causando esgotamento físico e psíquico. No trabalho, apresenta queda na produtividade e na qualidade do serviço. A falta de motivação e a inibição conduzem ao isolamento e a quadros depressivos.

O impacto traumático do assédio é tão grande que o assediado não gosta de lembrar do acontecido, tem vergonha do que passou, e continua a se sentir culpado, (sem saber de quê), por muito tempo. Por isso, é importante que os servidores estejam unidos na defesa de seu bem maior, que é a saúde. Adoecer no ambiente do trabalho ocorre, muitas vezes, porque as pessoas não são solidárias, não querem se envolver “em problemas dos outros”, não querem participar de um processo de luta, de transformação, de não-aceitação da prática do assédio moral no trabalho.  

Portanto, o combate ao assédio moral não é apenas uma questão ética e legal, mas também uma medida essencial para a preservação da saúde mental e emocional dos trabalhadores, por isso a solidariedade à vítima de assédio moral é muito importante para a melhora da saúde mental do assediado.

Procure o Núcleo de Saúde do Trabalhador (NST) SERJUSMIG para orientações, acolhimento, e suporte psicológico, jurídico e sindical caso você esteja sentindo os sintomas descritos neste artigo.

 

Artigo de Arthur Lobato, Consultor na Área de saúde do Trabalhador; Especialista no Combate ao Assédio Moral; Psicólogo CRP 04 22507; Fundador e integrante do Núcleo de Saúde do Trabalhador do SERJUSMIG (NST).