A precarização do trabalho analisada pelo sociólogo Giovanni Alves fundamentada no conceito de reestruturação produtiva, refere-se a um processo no qual as condições de emprego e trabalho se deterioram, resultando em empregos menos seguros, com baixa remuneração, poucos benefícios e instabilidade. Esse fenômeno ocorre principalmente devido às mudanças na organização da produção nas empresas e a busca por maximização dos lucros.
A reestruturação produtiva implica na adoção de práticas que flexibilizam as relações de trabalho, como a terceirização, contratos temporários e parciais, além da diminuição dos benefícios e direitos trabalhistas. Isso muitas vezes leva a uma redução da segurança no emprego e da estabilidade financeira dos trabalhadores, aumentando a incerteza em relação ao futuro.
Giovanni Alves destaca que essa precarização não afeta apenas a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também tem implicações sociais, econômicas e políticas. A falta de segurança no emprego pode levar a um ciclo de instabilidade econômica, afetando a capacidade dos trabalhadores de planejar suas vidas e contribuir para a economia de maneira consistente.
Em suma, a precarização do trabalho característica da reestruturação produtiva, conforme analisada por Giovanni Alves, denota a transformação das relações laborais em direção a condições mais vulneráveis e desfavoráveis para os trabalhadores, impactando negativamente a qualidade de vida, a segurança econômica e a estabilidade social.
Portanto, a precarização do trabalho deve ser compreendida como um fenômeno estrutural inserido no contexto mais amplo das transformações contemporâneas do mundo do trabalho, marcado pela intensificação produtiva, pela lógica de metas e pela racionalização dos recursos humanos. Nesse cenário, a sobrecarga de trabalho e a insuficiência de pessoal não se configuram como distorções pontuais, mas como expressões de um modelo organizacional que transfere ao trabalhador a responsabilidade de compensar déficits institucionais.
No âmbito institucional, reflexões de magistrados como Sebastião Geraldo de Oliveira têm destacado a centralidade da saúde mental no contexto laboral contemporâneo, especialmente no Judiciário. Ao reconhecer a relação entre organização do trabalho e adoecimento, essas abordagens reforçam a necessidade de superar modelos de gestão que naturalizam a sobrecarga e invisibilizam seus efeitos.
De acordo com Edith Seligmann-Silva, a precarização não se limita à instabilidade contratual, constituindo-se como um processo multidimensional que impacta profundamente a subjetividade do trabalhador. A autora introduz a noção de “precariedade subjetiva”, na qual mesmo trabalhadores com vínculos formais estáveis passam a vivenciar insegurança, pressão constante e intensificação do ritmo de trabalho. A partir da perspectiva de Seligmann-Silva, é possível afirmar que há uma vinculação direta entre condições organizacionais e saúde mental. O sofrimento psíquico, nesse contexto, não deve ser interpretado como fragilidade individual, mas como expressão de contradições estruturais do modelo de gestão do trabalho. A intensificação produtiva, quando desvinculada de condições adequadas de execução, transforma o trabalho — elemento central de construção da identidade — em fonte de adoecimento.
Por isso, a saúde do trabalhador é um projeto político. Devemos enfrentar o assédio moral, a precarização, ficar unidos, categoria e diretoria do sindicato nas lutas políticas sindicais.
Esta é a nossa luta.
Este é um dos compromissos do Núcleo de Saúde do Trabalhador – NST SERJUSMIG: lutar contra a precarização das condições de trabalho, contra uma política excessiva e desumana de metas e produtividade que gera sofrimento, adoecimento e principalmente combater qualquer forma de assédio ou violência no trabalho.
Pelos direitos do servidor em teletrabalho, pelo direito à desconexão, afinal não somos máquinas somos seres humanos de corpo espírito, sentimento e razão.
Procure conhecer o trabalho EM PROL DA SAÚDE DO SERVIDOR E SERVIDORA que o NST SERJUSMIG oferece aos sindicalizados.
Arthur Lobato
Psicólogo e Consultor na Área de saúde do Trabalhador
Especialista no Combate ao Assédio Moral
GIOVANNI ALVES é professor livre-docente aposentado da UNESP (Universidade Estadual Paulista) – Campus de Marília/SP e professor do programa de pós-graduação da UNESP-Marília e do Doutorado em Ciências Sociais da UNICAMP. É pós-doutor pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (Portugal); e pela Universidade Complutense de Madri (Espanha). Pesquisador do CNPq, coordenador-geral da Rede de Estudos do Trabalho.
EDITH SELIGMANN-SILVA é médica psiquiatra, pioneira dos estudos sobre saúde mental relacionada ao trabalho no Brasil. Foi professora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de 1973 a 1996 e do Departamento de Fundamentos Sociais e Jurídicos da Administração da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, de 1992 a 2006. Tem grande experiência clínica e também especialização em Saúde Pública. Atualmente aposentada, continua trabalhando em projetos de pesquisa. É parecerista de diversas revistas científicas e possui uma agenda intensa entre estudos, palestras, aulas e entrevistas.
