
Quando falamos em processos mentais conscientes, estamos nos referindo a cognição, raciocínio lógico, memória, capacidade de abstração e cálculo entre outros fenômenos que são produtos da mente. O mental surge no ser humano como um efeito da sensação e da percepção sobre o cérebro. Através dos cinco sentidos (tato, olfato, audição, visão e paladar), os quais levam as informações ao cérebro que as processa e posteriormente com a reflexão, forma o entendimento lógico racional.
Neste constante processo de aprendizagem, a memória (capacidade de reter informações e usá-las posteriormente) tem um papel fundamental. Todo aprendizado e sua relação com a memória começa na infância. Por exemplo, após uma criança se queimar, a dor deixa uma sensação, marca retida na memória, cria-se um aprendizado sensorial/cognitivo, assim ela evita o fogo que queima e causa dor. Além das experiências sensoriais a educação, a cultura e a moral, transmitem conhecimento, valores, conceitos e formas de se relacionar com o mundo e com nosso semelhante. A aprendizagem é um processo evolutivo em todo ser humano saudável.
O ser humano aprende com o outro, seja um professor, familiares, pelos livros, áudio e vídeos, ou um colega de trabalho. Por isso somos seres relacionais, precisamos nos relacionar com os nossos semelhantes para aprender e evoluir. Portanto, o corpo/mente é uma unidade, síntese de um indivíduo, que habita o mundo com outros seres humanos.
O corpo através dos sentidos (percepção, sensação), utiliza e retroalimenta as informações sensoriais e do aprendizado através da razão/memória/reflexão, para proteger o corpo/mente dos perigos. É o nosso instinto de sobrevivência.
A dor é um sinal de que algo está errado em nosso corpo, mas além dos perigos que causam riscos físicos, que causam sofrimentos físicos, ou seja, relacionadas ao corpo, que são visíveis, há o sofrimento invisível, sofrimento mental, emocional cuja dor é subjetiva e só quem a vive sabe de sua intensidade, muitas vezes, paralisante, como no caso da depressão.
A medicina trabalha na relação de causa/efeito. Se eu quebro a perna, o osso quebrado precisa ser recuperado, imobilizado e a perna engessada. Se a pele de nosso corpo fica amarela, assim como a região branca dos olhos, há um indício de hepatite. O órgão afetado, neste caso, é o fígado. Logo, através do medicamento ou da cirurgia, haverá uma atuação no órgão que é a causa da doença localizada no fígado. Ou seja, a doença é o efeito de algo que está fora do normal. A cor amarela da pele é um dos sintomas da doença. Assim, estabelece-se uma relação de causa e efeito e a forma de se intervir no local em que se origina a doença.
No caso do sofrimento mental e emocional não existe esta relação exata de causa e efeito, entre o órgão afetado e a doença. Onde se localiza o sofrimento do deprimido? No cérebro? Em falhas químicas nos neurotransmissores? Nos hormônios? No corpo todo? Na mente?
A violência pode ser física ou psicológica, mas somente a violência física deixa marcas visíveis. Na violência psicológica, como no caso do assédio moral, as marcas do trauma são invisíveis. No sofrimento psíquico só o sujeito que sofre tem acesso a dimensão de sua dor, vivência subjetiva que só pode ser acessada pelo outro via discurso. A verdade do sujeito contem sua subjetividade, ou seja seus valores, ideais, frustrações, revolta, amor e ódio e outras polaridades. No caso de doenças mentais, como a mania do bipolar, a verdade do sujeito não corresponde à realidade. E todos nós podemos nos equivocar em nossos julgamentos e percepções.
O sofrimento mental, emocional ou moral pode ser a verdade do sujeito, mas não ser compreendida pela família, por chefias no trabalho e até mesmo por profissionais de saúde. A verdade do sujeito manifesta no discurso pode ser interpretada por quem a escuta, considerando esta dor invisível, como no caso do assédio moral, fingimento ou exagero.
Procure o Núcleo de Saúde do Trabalhador – NST SERJUSMIG para falar de seu sofrimento. Procure apoio para amenizar o mal-estar psíquico. Queremos ajudar você a recuperar a saúde mental e emocional, desestabilizadas pelo assédio moral no trabalho, pelas humilhações, injustiças, abuso de poder ou pelo excesso de trabalho sem valorização ou reconhecimento. Importante também é perceber que nem tudo é assédio moral, e algumas vezes a subjetividade do trabalhador pode se equivocar e considerar assédio moral comportamentos e atitudes que fazem parte da hierarquia e da dinâmica do trabalho, pois além dos direitos existem os deveres do trabalhador. Sugiro a leitura do artigo escrito por Raquel Orlando do NST – Se tudo é assédio, nada o será; A banalização do termo assédio no trabalho.
Devemos combater o assédio moral, mas também preservar quem trabalha de forma ética e correta de serem acusados injustamente de assédio moral. Este é um dos objetivos do NST: orientar, esclarecer, sanar dúvidas, sempre em busca de um ambiente de trabalho saudável, sem assédio moral, assédio sexual, discriminação, racismo e qualquer tipo de violência laboral.
Artigo de Arthur Lobato, Consultor na Área de saúde do Trabalhador; Especialista no Combate ao Assédio Moral; Psicólogo CRP 04 22507; Fundador e integrante do Núcleo de Saúde do Trabalhador do SERJUSMIG (NST).
