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SERJUSMIG

Após três dias de debates, FENAJUD aprova 33 encaminhamentos para atuação nacional unificada




“Estes três dias de trabalho demonstram a representatividade e a força da nossa federação, presente em todas as regiões do Brasil e sempre atuante na defesa do serviço público”, avalia Eduardo Couto, coordenador-geral da FENAJUD e presidente do SERJUSMIG.

Na avaliação, ele se refere às atividades realizadas entre os dias 11 e 13 de junho, em João Pessoa (PB), onde as entidades que integram a federação estiveram reunidas para formação e elaboração política.

No dia 11 de junho, encontro de comunicadoras e comunicadores da Federação, com mesas e oficinas de capacitação técnica. Já nos dias 12 e 13, Conselho de Representantes (CR), com deliberações sobre as próximas lutas, precedidas do estudo sobre a Reforma Administrativa e as mudanças no Regime Próprio de Previdência Social. Além disso, reunião auto-organizada de mulheres da federação e mesa do coletivo de negras e negros.

 

Reforma Administrativa: uma nova granada?

O primeiro debate do CR, facilitado pelo consultor Vladimir Nepomuceno, abordou a nova Reforma Administrativa que, em breve, passará a tramitar no Congresso.

Em maio, o atual presidente da Câmara dos Deputados, o oposicionista Hugo Motta (Republicanos-PB), promoveu a criação de um grupo de trabalho para pensar uma nova reforma. O grupo tem até 45 dias para apresentar um relatório.

Desde então, parlamentares que integram a comissão operam para que sejam apresentadas diferentes proposições legislativas, entre uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e projetos de lei complementar e de lei ordinária, buscando restabelecer preceitos da reforma administrativa do governo Bolsonaro (PL) na PEC 32/2020.

Entre 2020 e 2022, a PEC 32 foi duramente combatida por entidades de servidores públicos, por ser um verdadeiro ataque à estabilidade e outros direitos dos servidores. Após mais de dois anos de luta, com a derrota do ex-presidente e o início de um novo governo, a tramitação da PEC foi suspensa.

No dia 9 de junho, em evento promovido pelo jornal liberal Valor Econômico, Motta prometeu ao lobby empresarial compromisso com uma nova reforma administrativa e disse pretender entregar um texto até o início de julho. “Penso que os debates se darão sempre pensando nas consequências das tomadas de cada decisão”, ressaltou.

Para o especialista Vladimir Nepomuceno, mais do que nunca, a luta dos servidores exigirá unidade e mobilização. “A cada legislatura, temos um Congresso Nacional pior que o anterior. Somente a pressão organizada pode barrar essa reforma”, assevera.

 

Uma nova reforma da Previdência?

Outro tema candente é a defesa da do Regime Próprio de Previdência Social. O debate foi facilitado pelo cientista político Thiago Queiroz, assessor da FENAJUD e sócio-diretor da Consillium Soluções Institucionais e Governamentais. Ele traçou um panorama das discussões sobre a PEC 66/2023 na Câmara dos Deputados.

Queiroz detalhou os possíveis efeitos da PEC 66, caso o Congresso Nacional aprove dispositivo que estende a estados, municípios e o Distrito Federal as mesmas regras já adotadas na Reforma da Previdência federal, a Emenda 103/2019. Por força da pressão sindical, esse dispositivo foi removido do texto em outubro do ano passado. Contudo, a Confederação Nacional de Municípios pressiona para que a mudança seja retomada na Câmara dos Deputados.

“O Congresso Nacional deveria estar discutindo a PEC Social, a fim de acabar com a cobrança sobre os aposentados, mas prefere dar andamento a uma nova reforma da Previdência, que poderá aumentar o tempo e as alíquotas de contribuição, reduzir o valor dos nossos benefícios e aumentar a idade para aposentadoria”, observa Eduardo Couto.

 

 

Comunicação e luta de classes

Para fazer frente aos desafios da luta política dos servidores, é imperioso manter uma comunicação forte e profissionalizada. Por essa razão, a FENAJUD organiza periodicamente encontros para dirigentes e comunicadores profissionais, com discussões políticas e oficinas de capacitação técnica.

No painel sobre concentração da mídia, a reflexão contou com a assessoria da jornalista Juliana Cézar, pesquisadora da UnB, e da comunicadora indígena Daniele Guajajara. Elas orientaram a reflexão sobre os desafios do sindicalismo em um cenário de oligopólio dos grandes meios de comunicação de massas e de baixa representatividade racial, de classe e de gênero nas mídias.

A segunda mesa foi conduzida pelo jornalista e pesquisador Ricardo Andrade, criador da página “Sindicato dos Memes”, que ajudou a pensar as possibilidades e limites da adoção de linguagens próprias das redes sociais na comunicação sindical.

Por fim, uma oficina com Eline Luz, especialista em rádio e TV e comunicadora do Sindicato Nacional das Entidades de Ensino Superior (Andes-SN), contribuiu com a qualificação do trabalho realizado pelas equipes de comunicação das entidades, potencializando a produção audiovisual.

 

Luta antirracista

Cleonice Amorim de Paula, servidora aposentada do Judiciário mineiro, esteve à frente de painel sobre a luta antirracista no Judiciário. Em sua exposição, ela destacou a necessidade de que os tribunais implementem o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial.

O documento elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contém orientações a magistrados sobre como proceder em suas decisões, considerando a realidade de racismo estrutural imperante no Brasil. Afinal, como ressaltou a expositora, o Judiciário brasileiro, que outrora deu sustentação ao regime escravista no Brasil,  hoje contribui com a manutenção da desigualdade racial.

 

Encaminhamentos

Ao fim da jornada, na sexta-feira (13), os 16 sindicatos presentes em João Pessoa aprovaram 33 encaminhamentos para a luta nacional unificada, diretamente relacionados às discussões. São eles:

  1. Inclusão no Calendário Anual da Fenajud do Encontro Nacional de Mulheres Dirigentes Sindicais.
  2. Moção de Apoio ao Sintaj-PB, diante dos ataques que o sindicato vem sofrendo.
  3. Que até o CR de Curitiba seja construída uma plataforma política para as próximas eleições nacionais, em parceria com a FENAMP e a FENAJUFE.
  4. Exigir do CNJ a criação de uma resolução sobre cotas para negras e negros de cargos comissionados nos tribunais.
  5. Solicitar ao TJ-RS que retire do texto da revisão do PCCS a criação de 809 cargos de confiança.
  6. Buscar junto ao Movimento Negro Unificado articular a luta por ampliação das cotas nas três esferas.
  7. Solicitar aos tribunais de contas estaduais respostas sobre pagamentos de auxílios compensação, acervos, etc., sem lei estadual.
  8. Elaborar editorial sobre o genocídio do povo palestino, manifestando solidariedade aos ativistas e pedido para que o governo brasileiro rompa de imediato as relações comerciais e diplomáticas com governo terrorista e genocida de Israel.
  9. Acompanhar o pedido de providências feito por um colega da base, recém-aprovado em concurso no Rio Grande do Norte, com relação à reserva de 3% para ocupação de PCDs em cargos de comissão e confiança em cumprimento à Lei complementar 715/2022.
  10. Verificar se há desigualdade racial na progressão de carreira.
  11. Atuar junto ao CNJ pela criação e efetivo funcionamento das comissões de equidade racial.
  12. Diálogo com o Congresso Nacional em prol da constituição de Frente Parlamentar Negra.
  13. Inclusão e incentivo em todos os eventos da FENAJUD para que os sindicatos da base possam garantir maior participação de negros e negras em todos os eventos.
  14. Averiguar e acompanhar a nomeação dos oficiais ad hoc não convocando concursados e aprovados.
  15. Acompanhar e mobilizar os sindicatos da base no GT da reforma administrativa e não permitir redução de direitos, assegurando a construção de um Judiciário mais igualitário.
  16. Cobrar do CNJ que os seminários de saúde sejam presenciais, com a presença da FENAJUD na organização.
  17. Pesquisa e fiscalização sobre bancas de hetero-identificação utilizadas pelos tribunais nos concursos.
  18. Cobrar do CNJ a fiscalização do cumprimento das Cotas no serviço público para negros e negras. 
  19. Incentivar os sindicatos a provocarem os Tribunais para criarem suas próprias bancas de hetero-identificação.
  20. Intervenção da FENAJUD estruturando um documento e buscando interlocução junto à presidência da República e ao Ministério da Fazenda, para que o decreto 12.433 seja alterado no art. 33, parágrafo primeiro, a fim de permitir que seja selecionado o ano fiscal de 2025 para servir como base de teto de crescimento das despesas primárias dos estados que aderirem ao Propag.
  21. Estruturar campanhas nas redes sociais para  cobrar do CNJ retorno quanto à pauta entregue pela FENAJUD no último ato público.
  22. Cobrar do GT da reforma administrativa participação das entidades representativas dos servidores nos trabalhos.
  23. Pressionar o relator da PEC 66/2023 para não incluir o dispositivo que obriga estados e municípios a adotarem as regras da reforma da previdência federal.
  24. Encampar campanha nacional de valorização do serviço e servidores públicos no combate à precarização.
  25. Exigir o cumprimento do percentual de estagiários nos poderes definidos em legislação local, exigindo o controle por parte dos tribunais de contas.
  26. Realização de uma live aberta para debater as consequências da Reforma Administrativa.
  27. Caso o CNJ não tenha instruído o Fórum de Carreiras dos Servidores do Judiciário Estadual, realizar nova atividade no CNJ e na Câmara dos Deputados.
  28. Reativação de Fóruns Estaduais em relação ao serviço público. Dialogar com deputados nas bases dos estados.
  29. Chamamento para participação das bases no dia 17 de junho da plenária virtual sobre a Reforma Administrativa.
  30. Ofício da FENAJUD ao TJCE em apoio à pauta aprovada democraticamente no III Congresso do Sindjustiça-CE.
  31. Apoio à convocação acima do percentual de 20% dos cotistas aprovados nos últimos concursos do TJCE, acompanhando-se, com o Sindjustiça-CE, o PCA n° 0002674-04.2025.2.00.0000, junto ao CNJ, de autoria de um aprovado no concurso.
  32. Pesquisa nos estados sobre o desvio de função.
  33. A elaboração de um livro com o registro da história de luta de algumas das mulheres sindicalistas da FENAJUD e das bases dos sindicatos.

 

Foto: FENAJUD

 

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