
Em 27 de agosto de 1962, a Psicologia foi oficialmente reconhecida como profissão no Brasil. Desde então, a data passou a marcar o Dia do Psicólogo, celebrado anualmente como forma de valorizar esses profissionais. São 62 anos de regulamentação, mas ainda há muito a avançar no que diz respeito ao reconhecimento social e institucional da categoria – em especial daqueles que atuam no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
No Judiciário, o trabalho dos psicólogos é indispensável. Eles lidam com áreas como família, infância, violência doméstica e questões sociais complexas. Avaliar situações, elaborar laudos, relatórios e pareceres técnicos, além de acompanhar processos, faz parte da rotina desses servidores, cuja atuação impacta diretamente a vida de inúmeras pessoas.
Escassez de profissionais e sobrecarga
Apesar da relevância da função, a realidade dos psicólogos do TJMG ainda é marcada por sobrecarga. O quadro segue reduzido em muitas comarcas, o que torna a rotina desses servidores extremamente difícil.
Em abril deste ano, no entanto, houve um avanço importante: a Portaria nº 4065/2025-SEI, publicada no DJe, garantiu a nomeação de 23 novos psicólogos para atuar em diversas comarcas do Estado, fruto da mobilização do SERJUSMIG e das comissões de aprovados em defesa do concurso regido pelo Edital nº 01/2022.
A chegada desses profissionais representa um reforço fundamental, mas ainda insuficiente diante da grande demanda existente. O Sindicato continuará pautando a necessidade de novas nomeações e concursos públicos, de forma a garantir melhores condições de trabalho e atendimento digno à população.
A diretora do SERJUSMIG, Sheila Salomé, que atua há 30 anos como psicóloga na comarca de Ponte Nova, descreve bem essa realidade: “Desde que entrei no Tribunal, eu sou a única psicóloga da comarca. O excesso de trabalho, a equipe pequena e os prazos, às vezes impossíveis de serem cumpridos, são as maiores dificuldades”, relata.
Segundo Sheila, é urgente que o Tribunal reavalie a quantidade de profissionais disponíveis, promovendo concursos com mais vagas e fortalecendo a categoria.
“Continuamos na luta testemunhando o crescente adoecimento das relações interpessoais, seja dentro do ambiente laboral, seja nas diversas histórias que acompanhamos. A categoria precisa se manter unida para propor formas de amenizar as dificuldades enfrentadas e melhorar a qualidade de vida do trabalhador”, reforça.
Saúde mental de quem cuida
O trabalho do psicólogo judicial exige preparo técnico e também grande equilíbrio emocional. Por lidarem diariamente com histórias de sofrimento e violência, esses profissionais estão mais expostos ao esgotamento mental.
Embora o TJMG ofereça cursos e capacitações, ainda não há protocolos institucionais específicos para cuidar da saúde mental dos servidores dessa área. Muitas vezes, a responsabilidade de buscar apoio acaba recaindo sobre cada indivíduo.
Nessa frente, o Núcleo de Saúde do Trabalhador do SERJUSMIG tem sido fundamental ao oferecer suporte e orientação aos servidores. Sheila reforça que o autocuidado deve ser prioridade para quem exerce a profissão:
“O psicólogo precisa se cuidar, é uma condição da profissão”.
Desafios que também inspiram
Apesar das dificuldades, a carreira também traz grandes recompensas. Sheila recorda sua trajetória com carinho e destaca o aprendizado acumulado ao longo dos anos:
“É um trabalho enriquecedor, de muito aprendizado e amadurecimento. Passei metade da minha vida no Tribunal e vi muitos avanços, mas ainda temos uma longa caminhada. É pela união e pela leitura crítica da nossa realidade que vamos contribuir para transformar o TJMG e a sociedade”, afirma.
O SERJUSMIG parabeniza todos os psicólogos e psicólogas do TJMG pela dedicação diária, reafirmando seu compromisso em lutar por melhores condições de trabalho e valorização permanente da categoria.
SERJUSMIG
Unir, Lutar e Vencer
