
Trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil saíram às ruas, nesta quarta-feira (15), em Brasília, para a Marcha Nacional da Classe Trabalhadora. O SERJUSMIG esteve presente, somando forças com diversas entidades sindicais na defesa de direitos e na luta por melhores condições de trabalho, com a participação do presidente Eduardo Couto, da 3ª vice-presidente, Melissa Caldeira, e da servidora da comarca de Ouro Fino Joice Nascimento de Macedo.
A marcha foi organizada pelas principais centrais sindicais e reúne caravanas de todo o país, que ocuparam a Esplanada dos Ministérios, seguindo até o Congresso e o Palácio do Planalto, para reforçar a luta em defesa do emprego, da soberania, da democracia e de uma vida digna para a classe trabalhadora.
A concentração para a Marcha foi iniciada às 8h, no estacionamento do Teatro Nacional, seguida pela Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat 2026), que aprovou a Pauta da Classe Trabalhadora para 2026. Dentre os principais pontos estão o fim da escala 6×1, a regulamentação da negociação coletiva no Serviço Público, a regulamentação do trabalho em plataformas digitais, o combate à pejotização e a luta contra o feminicídio.
A marcha seguiu em direção ao Congresso Nacional onde, durante a tarde, as centrais sindicais formalizaram a entrega de suas reivindicações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao presidente da Câmara, Hugo Motta.
“Neste dia histórico, a Marcha demonstrou a força da unidade dos trabalhadores no Brasil, em defesa de uma pauta representativa e qualificada. Ao longo da história, nenhum direito da classe trabalhadora foi dado, sempre foi conquistado com muita luta e mobilização. Esperamos que o dia de hoje nos traga novas conquistas”, celebra Eduardo Couto, presidente do SERJUSMIG e coordenador-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud).
Direito à negociação coletiva no serviço público
Entre as pautas aprovadas no Conclat, a regulamentação da Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), é de interesse específico dos servidores públicos.
Assinada pelo Brasil e ainda não aplicada, a Convenção 151 assegura aos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público das três esferas o direito à liberdade sindical e à negociação coletiva. A ausência de regulamentação impacta diretamente o funcionalismo, que não dispõe de um sistema permanente de negociação coletiva no setor público, mantendo os trabalhadores nas mãos de seus empregadores.
Este é o caso dos trabalhadores da educação em Minas Gerais, que têm sido negligenciados pelo governo estadual. Segundo representantes, a categoria sofre perdas acumuladas entre 2019 e 2026. O Sind-UTE MG denuncia que os governos Zema (Novo) e Simões (PSD) promoveram no estado uma política de desmonte e precarização da escola pública.
Particularmente no caso dos servidores do Judiciário, umas das dimensões mais importantes dessa questão é o fato de que a competência para julgar greves e outras discussões que dizem respeito ao direito trabalhista hoje recai sobre o próprio empregador. Na luta pela regulamentação das negociações, o SERJUSMIG defende o deslocamento desta competência para a Justiça do Trabalho.
Justiça de todo o país em marcha
A Fenajud participou da Marcha da Classe Trabalhadora, com representação de oito estados: Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Ceará, Amazonas, Tocantins e Rio Grande do Sul.
“A intensa participação dos servidores da Justiça é fundamental para fortalecer a unidade da classe trabalhadora em um momento estratégico de mobilização no país. Essa marcha representa uma importante oportunidade de diálogo político e de pressão institucional em defesa dos interesses dos servidores e servidoras”, destaca Eduardo Couto. A mobilização integra o calendário de lutas que se estende até o Dia de Luta dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, em 1º de maio.
SERJUSMIG
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