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SERJUSMIG

SERJUSMIG participa do Encontro de Negros e Negras da Fenajud




No último fim de semana, a Fenajud (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados) realizou o II Encontro de Negros e Negras da entidade, no Rio de Janeiro, reunindo representantes de diversos estados para discutir racismo, inclusão e diversidade no Judiciário. O SERJUSMIG, reafirmando seu compromisso com a luta antirracista, marcou presença e trouxe de volta para Minas Gerais a intenção de estruturar o Coletivo de Negros e Negras dentro do Sindicato.

A entidade foi representada pelo presidente Eduardo Couto, a diretora Sheila Ferreira e os servidores Sidney Marques, Joice Macedo e Pollyana Santos. Para Sheila, psicóloga da comarca de Ponte Nova e subdiretora social do SERJUSMIG, o encontro foi um marco de reflexão e mobilização: “Foi um evento de fundamental importância, que promoveu a reflexão sobre o racismo que vivemos dentro e fora do TJ, bem como o fortalecimento  da proposta de inclusão e diversidade sindical”.

O evento contou com debates centrais sobre desigualdade racial no Sistema de Justiça. A palestra de abertura foi conduzida pelo jurista Hédio Silva Júnior, com o tema “Sentenças e Julgamentos para Negros no Brasil: Racismo e Classe no Judiciário”. A programação também abordou cotas raciais no Judiciário e a insuficiência das medidas afirmativas, além de debater o direito às terras quilombolas, temas muitas vezes silenciados e relegados a segundo plano nas discussões institucionais.

Além dos debates, os participantes também tiveram a oportunidade de viver uma experiência imersiva na área histórica da cidade do Rio de Janeiro, com passagem pelo Museu da História Afro-Brasileira (MHUCAB), Museu Pretos Novos, Pedra do Sal, Biblioteca das Escrevivências (Criada pela Escritora Negra Conceição Evaristo), entre outros espaços e locais da presença histórica negra no Cais do Valongo e imediações.

Um dos pontos altos foi a mesa de mulheres negras, que teve como mote “O papel da mulher negra nas Direções Sindicais”, que trouxe reflexões fundamentais sobre como o lugar da mulher negra impacta não apenas sua própria trajetória, mas também a vida coletiva, política e sindical no Brasil. A mesa, que emocionou os presentes com histórias de superação, contou com a participação de Adriana Odara Martins, do MNU/RJ e representante da Marcha Nacional das Mulheres Negras 2025, Isis Garcia, secretária de Combate ao Racismo da CUT/RS e diretora do Sindibancários de Porto Alegre, e Cleonice Amorim de Paula, ex-presidente do Sinjus/MG. Sob a coordenação de Silvia Vasconcelos, do Sindjus/RS, o painel ressaltou os desafios enfrentados pelas mulheres negras em espaços de direção, a necessidade de ampliar a representatividade e a urgência de transformar as estruturas do movimento sindical a partir de uma perspectiva feminista e antirracista.

No encerramento, foi aprovada a Carta do Rio de Janeiro, documento coletivo que sistematizou as principais proposições e demandas construídas ao longo dos três dias de atividades. O texto reafirma o compromisso com a luta antirracista, a defesa da democracia, a ampliação de políticas afirmativas e a valorização das vozes negras nos espaços de decisão do Judiciário e do sindicalismo.

Esse momento final simbolizou não apenas a síntese do encontro, mas também um chamado à ação para os próximos anos.

Para o presidente do SERJUSMIG, Eduardo Couto, a iniciativa da Fenajud cumpre um papel decisivo ao dar visibilidade à luta antirracista. “A Fenajud evidencia como a luta antirracista e a defesa da diversidade ainda são tratadas como secundárias no Judiciário. Precisamos mudar essa realidade e colocar essas pautas como prioridade. Se a Justiça não existe para os colegas negros, então ela não existe para ninguém”, afirmou Eduardo. 

Ficou definido que o próximo encontro do Coletivo será realizado em 2027, em Minas Gerais, com apoio do SERJUSMIG, consolidando a continuidade da mobilização e reforçando a necessidade de manter viva a articulação nacional em torno da igualdade racial, de gênero e de classe.

 

Coletivo de Negros e Negras do SERJUSMIG

Após uma palestra sobre os caminhos e desafios da construção de um grupo de negros e negras nos sindicatos, as entidades presentes se comprometeram a desenvolver um coletivo em cada estado. A mesa tratou sobre metodologia e diretrizes para a criação e fortalecimento de coletivos no âmbito da Fenajud, destacando a importância da atuação estruturada e participativa. A deliberação para a criação de coletivos estaduais representa um passo importante para fortalecer a representatividade e abrir espaço permanente de debate sobre o racismo estrutural no Judiciário mineiro. O objetivo é garantir que as pautas raciais não se restrinjam a encontros pontuais, mas façam parte da agenda sindical cotidiana, orientando ações, formações e lutas da categoria nos estados.

Com a participação no encontro e o compromisso de implantar o núcleo, o SERJUSMIG reafirma sua posição de que a defesa da diversidade e a luta contra o racismo são inseparáveis da construção de uma Justiça verdadeiramente democrática e acessível a todos.

Com informações da Fenajud

 

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