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SERJUSMIG

Janeiro Branco e Assédio Moral




O Janeiro Branco é uma campanha nacional dedicada à conscientização sobre a saúde mental, realizada no início do ano como um convite simbólico à reflexão. Assim como uma “folha em branco”, o mês de janeiro representa a possibilidade de repensar hábitos, relações e modos de viver, colocando o cuidado emocional como parte essencial da saúde integral.

A importância do Janeiro Branco está no reconhecimento de que o sofrimento psíquico não é um problema individual isolado, mas um fenômeno social, influenciado por condições de trabalho, relações familiares, desigualdades, pressões econômicas e culturais. Entretanto, no mundo do trabalho, ansiedade, depressão, estresse crônico, burnout, e assédio moral são cada vez mais frequentes. Isto se deve as alterações no modo de se trabalhar, devido as constantes mudanças, que fazem com que os avanços tecnológicos gerem uma nova organização do trabalho e novos processos cognitivos, seja na iniciativa privada ou no serviço público. Devem também ser analisados e debatidos, os impactos na saúde mental da aceleração do ritmo de trabalho nos tribunais, e o aumento da carga de trabalho em virtude da transformação do processo físico em processo eletrônico. Estes fatores exigem novas habilidades no trabalho e novas capacidades gerenciais para se administrar esta nova organização do trabalho, que segue um modelo neoliberal produtivista em que números devem ser alcançados, metas constantemente batidas a qualquer custo, mesmo que este esforço por parte do ser humano tenha como consequência sofrimento e adoecimento.

Além dos relatos deste sofrimento e adoecimento relacionados ao trabalho, constatamos que muitos casos ultrapassam as questões psicossociais e de relacionamento interpessoal no trabalho. Para a equipe multidisciplinar do NST (Núcleo de Saúde do Trabalhador do SERJUSMIG), composta por diretores do sindicato, profissionais da psicologia e do direito, a maioria dos casos graves de sofrimento e adoecimento de servidores e servidoras relatados ao sindicato estão relacionadas ao assédio moral no trabalho. O assédio moral, o esgotamento por excesso de trabalho, a falta de reconhecimento e apoio institucional são as principais queixas dos servidores e servidoras ao Núcleo. Estes sofrimentos e adoecimentos são os efeitos danosos da política verticalizada do “Judiciário 4.0” e de normativas de trabalho implementadas através de resoluções monocráticas.

Sempre é bom lembrar o conceito de assédio moral estudado e analisado pela Dra. Margarida Barreto, referência mundial na conceitualização científica e no enfrentamento laboral ao assédio moral, juntamente com o professor Roberto Heloani.
Assédio moral é uma conduta frequente e repetida, que ocorre no meio ambiente laboral, cuja causalidade se relaciona com as formas de organizar o trabalho e a cultura organizacional, que visa humilhar e desqualificar um indivíduo ou um grupo, degradando as suas condições de trabalho, atingindo a sua dignidade e colocando em risco a sua integridade pessoal e profissional.” (Barreto, Heloani, 2018).

Fica o alerta da importância de se combater o assédio moral para preservar a saúde mental de quem trabalha.

No entanto, o principal desafio do Janeiro Branco é ir além da conscientização pontual. A campanha só cumpre seu papel quando provoca mudanças reais, como políticas públicas eficazes, práticas institucionais de cuidado, prevenção de violências psicológicas, e promoção de condições dignas de vida e trabalho. Assim, o Janeiro Branco não deve ser visto como um evento isolado, mas como um lembrete de que a saúde mental precisa ser cuidada durante todo o ano.

Ao promover o diálogo sobre saúde mental, a campanha Janeiro Branco contribui para a quebra de estigmas, estimulando as pessoas a falarem sobre seus sentimentos, buscarem ajuda profissional e fortalecerem redes de apoio. O “Janeiro Branco” reforça que cuidar da mente envolve escuta, acolhimento, acesso a serviços de saúde e ambientes mais humanos, especialmente no trabalho.

A saúde do trabalhador é um projeto político. Devemos enfrentar o assédio moral, a precarização, a perda de direitos da classe trabalhadora cada vez mais fragilizada por políticas neoliberais. A categoria e diretoria do sindicato devem estar unidas nas lutas sindicais, fortalecendo a nossa política em prol da saúde do trabalhador. Devem lutar contra a precarização das condições de trabalho, contra o assédio moral, sexual, discriminação, e racismo. Exigir os direitos das pessoas com deficiência (PCD) e, principalmente, combater a política excessivamente desumana de metas e produtividade que gera sofrimento e adoecimento.

Procure o NST (Núcleo de Saúde do Trabalhador) do SERJUSMIG para manter sua saúde mental o ano inteiro, começando pelo Janeiro Branco.

 

Artigo de Arthur Lobato, Consultor na Área de saúde do Trabalhador; Especialista no Combate ao Assédio Moral; Psicólogo CRP 04 22507; Fundador e integrante do Núcleo de Saúde do Trabalhador do SERJUSMIG (NST).